A pompa no kaol

Cachaça, arroz, ovo e linguiça. Esses são os componentes originais do kaol, um prato que levou o Café Palhares a se tornar uma entidade gastronômica em Belo Horizonte. Mas por que a letra “k” na grafia do nome, já que as demais são as iniciais de arroz, ovo e linguiça?

Por desconhecer o motivo da inclusão do “k” – indicando a cachaça – na denominação do prato, muitos dizem que a letra representa a couve, que sequer era servida no kaol na época de sua criação.

O nome foi dado na década de 50 por um dos segundos donos da casa, o uberabense João Ferreira, o seu Neném, juntamente com o radialista, cantor, compositor e boêmio Rômulo Paes. Os atuais proprietários dizem que o “c” de cachaça foi substituído pelo “k” para dar “mais pompa” ao prato.

Com o passar do tempo, o kaol ganhou torresmo, farofa, couve e molho de tomate. Hoje, pode ser acompanhado de pernil, carne cozida, dobradinha, língua e a tradicional linguiça.

O restaurante, localizado na rua dos Tupinambás, 638, no centro de Belo Horizonte, foi fundado em 1938 pelos irmãos Palhares e vendido em 1944 a João Ferreira e seu cunhado Aziz. Nos anos 40, 50 e 60, por funcionar 24 horas, foi reduto de boêmios e ponto de encontro de torcedores do América, Atlético e Cruzeiro. Hoje, o estabelecimento é administrado por descendentes do uberabense.

Ronaldo Lenoir

Ronaldo Lenoir

Editor

2 comentários em “A pompa no kaol

  • 18 de novembro de 2016 em 17:55
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    Caro R. Lenoir.
    A partir da leitura do seu texto permita-me, como entusiasta da comida de bar, construir uma hipótese sobre a grafia do “caol” que se tornou “kaol”.
    Como bem o descreveu, o caol original foi batizado nos anos 50, época da alta boemia belorizontina, a partir das letras iniciais dos componentes do prato. Fortuitamente, na mesma época, praticamente em todos os lares brasileiros podia ser encontrado um produto que se tornou sinônimo de polidor de metais: o KAOL. Era sobejamente conhecido, como Gilette e Brahma que, pela popularidade, se tornaram sinônimos de lâminas de barbear e cerveja. KAOL era um nome que, hoje, os luminares da publicidade se referem como “marca de valor”, qualquer pessoa o conhecia e vendia como pastel em feira. Daí, para passar a se grafar a palavra com K , em vez de C, foi um pulo.
    Meus cumprimentos pelo seu ótimo e enxuto texto.
    Álvaro Falcão, atoista militante.

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    • Ronaldo Lenoir
      18 de novembro de 2016 em 18:12
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      Caro Álvaro, obrigado pelo elogio. Os descendentes de um dos criadores do kaol afirmam que a letra “k” substituiu o “c” de cachaça para dar pompa ao nome do prato, mas é perfeitamente possível que tenha havido essa associação com o polidor, tendo em vista que, como você lembrou, era um produto reconhecidamente excelente. Grato, por nos acompanhar.

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