A Praça do Papa

Artigo escrito, há quase vinte anos, pela então advogada, professora da PUC/MG, procuradora do Estado de Minas Gerais e, hoje, presidente do Supremo Tribunal Federal. Publicado na Gazeta Mercantil, na coluna intitulada Eu Recomendo, em 15 de março de 1997. Na foto, Cármen Lúcia durante palestra, em 1989


Cármen Lúcia Antunes Rocha

BH vale uma missa. Na Praça do Papa, se possível for. Ver-se tomado pelo grande abraço da montanha, cuja força se espraia sobre o horizonte descortinado, numa sensação, mais que visão, a partir da sala arredondada posta ao encosto esverdeado da montanha. Ali se estaca impávida a cruz aos pés da qual desliza mansa e em silêncio a cidade que, depois, se abre no céu e faz-se um horizonte mais belo, visto do alto e sentido inteiro n´a gente.

Sou das Gerais, do descampado a céu aberto total. Depois é que me veio a acolhida do abraço das montanhas reclusas de Minas, que se oferecem na visão grandiosa do horizonte mais belo. A Praça do Papa deixa que se sinta a força viva da montanha sem se perder em sua sombra, dada como é ela na extensão do espaço maior que a vista inalcança.

A praça é nossa, do cidadão, do povo, como disse o poeta. BH dá-nos uma praça maior. Silenciosa, digna e grandiosa em sua amplitude montanhosa, como é próprio de Minas. É ali na Praça do Papa que a cidade nos oferece a benção de não nos dispensarmos de termos sempre e a cada dia a certeza de um horizonte mais belo, intacto, ao toque do olhar de amor pela cidade mais azul do planeta. Tua benção BH.

Tu me fizestes minha. Tu me fizestes tua. Tu me fizestes tu mesma em versão humana, como a tantos outros. Tua benção, BH.



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