A reinvenção de uma jornalista

Por que alguém resolve escrever?

A jornalista e cronista Zulmira S. T. Furbino tem uma resposta inusitada para essa pergunta. “Precisei escrever para ser. Caçula, numa família de dezenove irmãos, foi na literatura que encontrei a forma de ir inventando e consolidando minha identidade. Escrevendo, nasci muitas vezes até desabrochar”, diz a autora do livro Das Minas que será seu lançado em 5 de dezembro, segunda-feira, a partir das 19h, no café do Cine Brasil, na Praça Sete (Rua Carijós 258), em Belo Horizonte.

das_minasReinventando-se, a jornalista com 20 anos de experiência na área de economia resolveu fazer uma transição do seu lado repórter – acostumado com números e estatísticas – para o de cronista, que gosta de gente e da vida, apesar dos percalços que ambos provocam.

Desse desejo de transformação, nasceu a autora das mais de cento e cinquenta crônicas publicadas no jornal Estado de Minas, durante os três anos em que ela assinou a coluna Simples Assim, do caderno Bem Viver. Selecionando trinta e seis delas, Zulmira inventa seu livro Das Minas.

Essa autora, que se define como escrevinhadora, sintetiza: “Primeiro, as crônicas precisaram ser escritas; depois de escolhidas e compiladas, precisaram ser publicadas em livro porque é deste mal que padece quem escreve: diluir a imensidão que invade a alma por enxergar a vida poeticamente”. E cita Drummond, das Minas: “Gastei uma hora pensando um verso que a pena não quer escrever. No entanto ele está cá dentro inquieto, vivo. Ele está cá dentro e não quer sair. Mas a poesia deste momento inunda minha vida inteira.”

Zulmira S. T. Furbino acredita que a escrita é uma tarefa difícil, que aparta o escrevinhador do mundo real, mas que, ao mesmo tempo, devolve a esse mundo um quê das delicadezas perdidas ao longo do caminho. “Escrever é irritante, é triste.” – diz ela. Mas complementa afirmando que, paradoxalmente – por vício ou ofício –, está sempre correndo atrás das palavras.

O livro tem quarta capa, orelha e prefácio assinados, respectivamente, pelos escritores mineiros Leila Ferreira, Carlos Herculano Lopes e Cris Guerra. Leila afirma que Zulmira S. T. Furbino alia, como jornalista, a capacidade crítica da observadora a um olhar poético que encontra beleza nas coisas miúdas, naquilo que parece trivial. “Sua simplicidade nos desarma e nos torna cúmplices: embarcamos nas suas histórias, nos aproximamos de seus personagens, nos permitimos sentir a leveza que é sua marca – e seu estilo. Resumindo? Ler Zulmira Furbino faz bem”.

“Em meio a nova geração de cronistas, vinda de uma escola que em Minas encontrou encontrou sua casa, Zulmira S. T. Furbino divide com o leitor sentimentos, sutilezas para enxergar o outro, e um olhar atento sobre as coisas simples, muitas vezes pouco percebidas na pressa comum dos nossos dias”, escreve Carlos Herculano.

Já para Cris Guerra, Zulmira S. T. Furbino lê o mundo e comenta sobre ele, ao pé do ouvido do leitor. “Não há detalhe que escape do seu olhar de romance. Como quando ela fala sobre o tempo, ou sobre o seu não entender o tempo, mas faz dele um desenho tão bonito, que a gente quase acredita: é assim o tempo, então, mirando o desenho que ilustra, mas não explica”. E arremata: “Ainda bem que existem Zulmiras pra gente continuar a sonhar”.

Carreira

Zulmira Furbino é formada em publicidade e jornalismo e estudou Sociologia do Emprego e Desemprego na Universidad de Deusto, em Bilbao, na Espanha, onde foi assistente da Cátedra Unesco de Formação de Recursos Humanos para a América Latina. Atuou como repórter de economia e como correspondente internacional na Espanha.

Foi correspondente, em BH, do diário carioca Jornal do Commercio. Por oito anos, atuou como repórter sênior de economia no jornal Estado de Minas. Assinou, ao lado do escritor Affonso Romano de Sant’Anna e do fotógrafo Mário Castello, o livro Riquezas de Minas. Durante três anos, também assinou a coluna semanal Simples Assim e escreveu reportagens para o caderno de comportamento Bem Viver.

Vencedora do 1º Prêmio de Jornalismo Impresso da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (2012). Ganhadora do Prêmio Sebrae de Jornalismo para a região Sudeste e para o estado de Minas Gerais (2010). Duas vezes finalista do prêmio CNH de jornalismo (2001 e 20101). Segundo lugar no II Prêmio de Jornalismo Econômico do Conselho Regional de Economistas (2010).

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