A saúde e os pequenos cuidados

No atendimento à saúde escutamos, com frequência, relatos de pessoas que fizeram mudanças em seus tratamentos e conseguiram bons resultados. Motivadas por diversos fatores, introduziram pequenos cuidados que impactaram positivamente na própria saúde.

Foi observando e pensando nos pequenos cuidados que percebemos a importância de destacar as grandes diferenças que eles fazem no controle das doenças e de suas complicações, o que nem sempre é valorizado.

Algumas pessoas com doenças crônicas como hipertensão arterial, diabetes, entre outras, talvez por descuido, desmotivação ou falta de informação, insistem em práticas inadequadas, potencialmente prejudiciais à saúde ou negligenciam medidas simples e benéficas que fazem grande diferença em seus tratamentos.

Um dos exemplos é o uso incorreto dos medicamentos. Algumas tomam a dose da manhã, mas não a dose prescrita para a noite. Consideram-na desnecessária. Outras deixam de tomar o medicamento em um dia e tomam no dia seguinte, alternando a dose ou têm dificuldade de entender a forma correta de tomar o medicamento e não pedem ajuda.

Podemos falar também da automedicação e os seus riscos. E por aí vai. No que se refere às medidas não medicamentosas, cuidados simples como tomar um pouco de sol, dar alguns passos, manter a regularidade nos horários da alimentação, evitar ficar muito tempo assentado, reservar alguns momentos para fazer o que gosta, cuidar do sono, entre outros, são pouco praticados.

Os pequenos cuidados algumas vezes encontram barreiras nas resistências internas da própria pessoa, muitas delas originárias das influências culturais ou de comportamentos aprendidos no decorrer da vida. Por isso, para que sejam introduzidos, exigem motivação, coragem e proatividade. A boa relação profissional-pessoa também poderá trazer importantes contribuições para que esses cuidados sejam abraçados pela pessoa.

Aqui cabe uma breve observação: na relação profissional-pessoa, o diálogo e o vínculo são fundamentais. Somente quando se desenvolve a confiança e se estabelecem conversas leves e abertas as informações afloram. Só assim se percebe se a adesão ao tratamento está ocorrendo ou não. E, em caso negativo, quais são os motivos que estão levando à não aderência. Se assim não acontecer, corre-se o risco de prescrever mais e mais medicamentos e orientações, sem se dar conta das medidas simples.   

Não obstante algumas dificuldades e resistências em relação aos pequenos cuidados, podemos dizer que eles são muito importantes. Com certeza a sua adoção traz como desafios o abandono de velhos costumes, a corresponsabilização pelo autocuidado e adesão a novas práticas. Mas o resultado valerá a pena.

Aristides José Vieira Carvalho

Aristides José Vieira Carvalho

Médico, mestre em medicina, especialista em clínica médica e em medicina de família e comunidade, professor do curso de medicina da FASEH e coordenador de Residência Multiprofissional da Atenção Básica/Saúde da Família da Secretaria de Saúde de Belo Horizonte.

2 comentários em “A saúde e os pequenos cuidados

  • 29 de maio de 2017 em 13:31
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    Aristides, muito legal o seu texto enfatizando a importância das coisas simples chamando atenção para os pequenos cuidados que, para muitos, passa desapercebido. Em geral, a preocupação vem quando o problema já está instalado. Que possamos ficar cada vez mais atentos para o simples que faz diferença. Abraço.

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  • 31 de maio de 2017 em 11:41
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    Prof, Aristides, Parabéns! O texto nos alerta para os pequenos cuidados, que de tão rotineiro, nem percebemos que nos auto-medicamos e esquecemos as recomendações no consultório para efetividade do tratamento.

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