A visão de João Diniz sobre a cidade da escala humana

O arquiteto mineiro fala das duas cidades: a dos usos misturados (híbrida) e a segregadora

POR QUE MUITAS CIDADES SE DIVIDIRAM EM SETORES

“No século XX, várias metrópoles mundiais, principalmente as recém-projetadas ou em vertiginoso crescimento, seguiam os preceitos da ‘Carta de Atenas’, documento modernista, de 1933, que entendia a cidade estratificada e dividida em suas funções principais: trabalho, moradia, lazer, indústrias etc. Foi aquele um modelo que prevaleceu, em várias partes do mundo, até à crise do petróleo, das energias e, agora mais recentemente, do reconhecimento dos danos ambientais, com o aquecimento global.”

APROXIMAÇÃO DOS LOCAIS DE MORADIA, TRABALHO, COMÉRCIO, LAZER

“O conceito, hoje, evoluiu para uma visão híbrida de cidade, em que as funções acontecem de forma mais integrada e compartilhada. Admite-se que maiores densidades urbanas geram cidades mais compactas, que necessitam de menores deslocamentos, consomem menos energia e distribuem, de forma mais democrática, sua infraestrutura.”

OS CONDOMÍNIOS E OS SHOPPINGS COMO AGENTES SEGREGADORES

“No Brasil, vemos algumas ações continuam negando o novo modelo da cidade híbrida, tais como: o crescimento das cidades para as periferias elitistas (condomínios), gerando mais tráfego e fuga do centro existente; o baixo investimento em transporte público; a criação de polos de serviços privado e oficiais longe dos centros (cidades administrativas); o crédito e o incentivo à compra do veículo individual; o uso dos centros da cidade apenas para passagem, comércio e serviços, gerando a marginalidade noturna; a fuga do espaço da rua, por meio da cultura dos shopping centers e dos condomínios/edifícios fechados; a demolição de áreas anteriormente simbólicas para a população, em função de maiores aproveitamentos construtivos; a entrega do espaço público das vias a um numero sempre crescente de veículos.”

O DESAFIO DO URBANISMO DA ESCALA HUMANA E DOS USOS INTEGRADOS

“O grande desafio é a requalificação dos centros das cidades e de suas áreas tradicionais, que, na verdade, são a alma delas, promovendo-se o uso híbrido (com funções urbanas integradas), a renovação de imóveis antigos, a revalorização dos espaços públicos tradicionais, um programa de maior inclusão social em espaços de cultura e lazer”.

Valerio Fabris

Valerio Fabris

Editor

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