As drogas do sexo

Desde os tempos em que os homens caçavam seu alimento com pedras amarradas na extremidade de um pedaço de pau, o sexo sempre foi sua recreação preferida. São também os únicos animais na natureza que fazem sexo com esse propósito. Entre os outros animais mamíferos, o sexo sempre é um ato instintivo com o único fim de procriação e perpetuação da espécie. Uma fêmea de mamífero nunca permite a cópula fora do seu período fértil, grávida ou amamentando.

Nessa história, as substâncias psicoativas são tão antigas quanto o comportamento sexual humano. Os narcóticos derivados do ópio e o álcool também são usados para recreação, mas no final do ritual o que se quer é sexo.

O problema da ereção para os homens era tratado com poções afrodisíacas totalmente ineficazes e muito fácil de serem encontradas. Muitas são comercializadas com a garantia de que funcionam, como o amendoim, catuaba, alho, gengibre, entre tantas outras.

Ainda hoje, rinocerontes são sacrificados e têm os chifres ralados e vendidos como estimulantes sexuais. As gestações também afastam a mulher das práticas sexuais pela a necessidade imperiosa de cuidar dos filhos. Em 2015, a Food and Drug Administration USA (FDA) aprovou o flibanserin um estimulante do desejo sexual da mulher, mas os efeitos estão longe de alcançar a eficiência do Viagra®. Uma droga sintética derivada da anfetamina, batizada de ecstasy, é incorretamente chamada de droga do sexo, pois causa bem-estar e euforia, mas dificulta a relação sexual satisfatória.

Passaram-se séculos, até que na década de 1950, Gregory Pincus, um biólogo norte americano produziu um medicamento eficaz, seguro e que permite que as mulheres controlem a sua fertilidade. Foi criado o anticoncepcional hormonal, lançado no mercado comercial na década seguinte. A pílula mudou os costumes da humanidade como nenhum outro medicamento antes conhecido.

No final do século passado, outra descoberta acidental trouxe a alegria para milhares de homens: a droga que induz ereções penianas. Naquela época, os cientistas norte-americanos trabalhavam na pesquisa de um medicamento que seria usado no tratamento da hipertensão arterial e angina.

A substância estudada mostrava-se pouco eficaz, mas provocava duradouras ereções penianas. Assim nascia a pílula da impotência masculina: sildenafil, aprovada em 1998 pelo FDA, sendo o medicamento que rendeu mais lucro em toda a história da indústria farmacêutica.

A pílula e o sildenafil resultaram num grande estímulo à recreação sexual. Isso já trouxe profundas mudanças na sociedade como o trabalho da mulher fora de casa, a entrada delas nas fileiras militares e em outras profissões consideradas masculinas até há pouco tempo. Os homens mais velhos podem manter relações sexuais mais satisfatórias com mulheres muito mais jovens.

Os adultos jovens usam Viagra® para manter ereções prolongadas e ter mais parceiras. Mas esses medicamentos não trouxeram apenas as delícias do sexo. Essa permissividade sexual trouxe a Aids, antes desconhecida, e recrudesceram doenças de muitos milênios que pareciam controladas e hoje assombram as noites dos amantes.

Paulo Timóteo Fonseca

Paulo Timóteo Fonseca

Médico da Saúde da Família

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