Dieta e exercício físico

Em 1995, o filme Forrest Gump, estrelado por Tom Hanks, levou para casa seis estatuetas do Oscar. Na comédia, quando o perguntavam se ele era um idiota, respondia: “Idiota é quem faz exercícios”.

Desde os tempos em que os médicos sabiam muito menos ainda do que admitem hoje, recomendações as mais bizarras e variadas eram corriqueiras nas consultas. A lista dessas idiotices é tão extensa que desperdiçaríamos muitas linhas para citá-las. Entre essas orientações, ouvidas dentro e fora dos consultórios, as dietas e a prática de exercícios físicos são aquelas que ainda parecem ter muito fôlego.

A doença cardiovascular representada pelo infarto do miocárdio e o acidente vascular cerebral é a principal causa de morte nos países desenvolvidos ocidentais. Os cientistas se desdobram há décadas na tentativa de mostrar os possíveis benefícios que uma dieta e a prática regular de exercícios poderiam influenciar nas estatísticas de morte por doenças cardiovasculares.

Recente relatório intitulado “Aconselhamento comportamental para promover uma dieta saudável e atividade física para prevenção de doenças cardiovasculares em adultos sem fatores de risco cardiovascular. Declaração de Recomendação da Força-Tarefa dos Serviços Preventivos dos EUA (JAMA: 2017/jul, 318)”, é a última nova.

O objetivo do estudo era atualizar a recomendação do Grupo de Trabalho de Serviços Preventivos dos EUA 2012 (USPSTF), sobre aconselhamento comportamental para promover uma dieta saudável e atividade física para prevenção de doenças cardiovasculares em adultos sem obesidade que não possuem fatores de risco cardiovascular (hipertensão, dislipidemia ou diabetes).

A conclusão sobre a magnitude geral do benefício relacionado a essas intervenções foi positiva, mas pequena. Os danos potenciais são no mínimo tímidos, portanto têm pouco benefício real para adultos sem obesidade, que não possuem fatores de risco de doença cardiovascular. O número de óbitos apesar dessa abordagem continua numa curva ascendente.

O USPSTF analisou 86 ensaios, envolvendo mais de 115 mil pessoas, que relataram consumo de frutas, vegetais e minutos por semana de atividade física. A heterogeneidade estatística impediu a análise conjunta e definitiva, isto é, foi inconclusiva. A atualmente, o American College of Physicians não possui recomendações clínicas sobre aconselhamento comportamental para promover uma dieta saudável ou atividade física para adultos.

Não há como analisar informações colhidas, pois não se sabe que ou quais atividades físicas devem ser realizadas, por quanto tempo e com que intensidade. Com relação à dieta as variáveis são muitas. Quais seriam os alimentos ideais como fontes de proteínas, carboidratos, gorduras, vitaminas, minerais e fibras?  Nesse aspecto, continuamos na Idade da Pedra, ainda comemos e nos exercitamos imitando outros animais.

 

Paulo Timóteo Fonseca

Paulo Timóteo Fonseca

Médico da Saúde da Família

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