Erros no diagnóstico médico

A prática médica é um desafio diário. Muitos casos são de diagnóstico difícil e o médico que faz a primeira avaliação clínica não acerta nem de perto os 100% deles. O médico que sabe tudo só pode ser encontrado na ficção de Hollywood. Isso pode ser um grande problema quando se trata de doenças graves e que podem evoluir rapidamente para o óbito.

Pior ainda quando depois desse primeiro exame o paciente é liberado para voltar para casa. Essa é talvez a principal razão para que as unidades de urgência fiquem superlotadas de pacientes em macas nos corredores em observação. Em alguns plantões, isso cria um verdadeiro caos, contribuindo ainda mais para diagnósticos equivocados.

Se depois de uma ou mais avaliações e exames rápidos um problema grave é diagnosticado, impõem-se medidas mais específicas e a internação é priorizada. Se não bastasse essa dificuldade, a pressão exercida pelos familiares pode criar um ambiente de hostilidade nada benéfico.

Um recente estudo publicado (Journal of Evaluation in Clinical Practice4/04/2017, UK) mostrou que apenas 12% dos diagnósticos iniciais foram confirmados e que em 21% deles o resultado da análise final foi outro e, em consequência, os custos do tratamento foram maiores como também as suas complicações. Mesmo em países ricos a solução desse problema é muito difícil de ser equacionada.

Sob o foco da nossa realidade, numa unidade de saúde de urgência, que atende 24 horas por dia, há, dependendo da demanda, um único médico em cada plantão para atender a todos os casos. Muitas vezes, sem nenhuma retaguarda de suporte como laboratório, raios-x e outros recursos para diagnósticos.

O médico precisa atender, muitas vezes, a muitos pacientes quase que ao mesmo tempo e isso é também a causa de diagnósticos incorretos. A presença de especialistas de plantão para emitir uma segunda opinião só é possível em grandes hospitais. Nas doenças mais incomuns as dificuldades são ainda maiores, pois existem centenas de queixas e muitas estão presentes em várias enfermidades.

Também a quantidade de doenças conhecidas é um número de cinco dígitos. Isso pode trazer muitas dúvidas e o primeiro diagnóstico pode não ser correto. Algumas doenças fatais, como o infarto do miocárdio, podem apresentar sintomas incaracterísticos como náuseas, por exemplo, e sugerir um problema gástrico de menor importância. 

Paulo Timóteo Fonseca

Paulo Timóteo Fonseca

Médico da Saúde da Família

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