Ilações

É o termo dos tempos de hoje: a todo momento, na mídia impressa e na web, o que mais tem é que aquele fato ou acontecimento foi pura ilação.

Vamos então ao conceito: “Ilação é o ato de fazer conjecturas baseadas em hipóteses, em suposições, em dados baseados em presunções”.

Num papo de boteco, nas conversas, quando animadas e calorosas, a ilação é sempre bem-vinda — e como. Os mirabolantes planos e projeções de projetos futuros, casos amorosos mal resolvidos — mas sempre com perspectiva de resolução —, ganhar na Mega-Sena, esse ano meu time será campeão, não aguento mais esse meu carro, preciso partir para um novo modelo, meu smartphone já tá ultrapassado e jurássico, não vejo a hora de trocá-lo… e por aí vai. Garçom, traz a saideira.

Ou seja, ilação faz parte do nosso cotidiano, e sem ela não poderíamos expressar aquelas coisas que no início podem ser pura hipótese, mas, quem sabe, podem também ser realizadas e concretizadas.

No entanto, no noticiário desses tempos de hoje, a palavra “ilação” virou ao contrário, significando, em muitos casos, sinônimo de mentira, falsidade, subterfúgio para escapar de determinada situação. Ah, esses tempos…

Não é possível que um fato presenciado, vivenciado, filmado, gravado etc. se resuma na manjada frase “Aquilo foi só mais uma ilação”.

Aqui, lembro de uma crônica do grande escritor e cronista Fernando Sabino, numa passagem que diz assim: “Duas pessoas conversando, só duas pessoas, uma pergunta pra outra alguma coisa, e esta responde: Quem? Eu?”

Pois é, é isso aí. Não podemos banalizar o termo ilação. Ilação é o sonho, é a possibilidade da imaginação dos nossos mais internos desejos.

Guilherme Mauro

Guilherme Mauro

Profissional de Relações Públicas

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