Jimmy Duchowny em série (2/5)

O segundo capítulo do depoimento do baterista americano Jimmy Duchowny*, que mora em Belo Horizonte desde 1994.

A ÁRDUA VIDA DO MÚSICO NOS PALCOS COTIDIANOS DA ILHA DE MANHATTAN

“Nova York é a Meca do jazz, sem dúvida. Mas os músicos para tocarem lá sempre passam por um sofrimento danado. Moram fora de Manhattan, bem longe. Pegam ônibus, pegam metrô, fazem uma viagem. Vivem mal pra caramba. Eles fazem todo esse sacrifício para tocar em um cenário, que é o melhor do mundo. É um romantismo”.

UMA DAS MELHORES CIDADES AMERICANAS PARA A MÚSICA E A VIDA URBANA

“Uma cidade americana que tem um ambiente musical muito bacana é Portland, no Estado de Oregon, do lado oposto a Nova York, na costa do Pacífico. Tem 600 mil habitantes. O músico pode viver com mais dignidade lá”.

DINAMARCA, O PAÍS QUE SE TORNOU AINDA MAIS ATRAENTE APOIANDO OS MÚSICOS

“A Dinamarca e Japão sãos os dois melhores países do mundo para os músicos. Na Dinamarca, há inclusive o apoio do governo. E isso funciona muito bem. Dá vida às cidades, estimula o turismo. Tem vários clubes de jazz. Se alguém tem uma banda, boa o suficiente para participar de um festival dinamarquês, o governo paga. E no Japão, que é outro fantástico ambiente musical, valoriza-se muito a música de qualidade. Isso vem do nível educacional e cultural. Já nos nove anos do ensino fundamental japonês, as crianças têm aula de música, até com leitura de partituras. Uma maravilha”.

BELO HORIZONTE PODE SE DESTACAR COM A MÚSICA INSTRUMENTAL NOS BARES

“Belo Horizonte é a cidade brasileira mais sob medida para se tornar algo parecido com Portland. Precisa adotar a música instrumental como uma das suas âncoras, como a Dinamarca e o Japão fazem. Pelo que se diz, Belo Horizonte é a cidade brasileira que, proporcionalmente, tem mais bares e restaurantes no Brasil. Os bares podem se tornar uma vitrine da sua rica cultura musical. Uma coisa casa com a outra. É um arranjo imbatível”.

A PREFEITURA DECIDE QUE A MÚSICA FAZ PARTE DOS NEGÓCIOS DOS BARES 

“Tenho a impressão de que, até agora, as pessoas que decidiam na área cultural não tinham a menor capacidade de entender a riqueza musical de Belo Horizonte e como isso pode se transformar em forte atração para a cidade. É preciso diminuir a burocracia, que só foi piorando desde que cheguei aqui, em 1994. A decisão da prefeitura de passar a considerar a música dentro das atividades normais dos bares pode mudar a cara da cidade”.


* Jimmy Duchowny nasceu em Malibu, na Califórnia. Formou-se na Berklee College of Music, em Boston. Mudou-se para o Rio de Janeiro em 1987, quando tinha 24 anos de idade. Em 1994, passou a residir em Belo Horizonte. Tem quatro CDs autorais e, participou, como baterista, de quase uma centena de discos de outros músicos, no Brasil e no exterior. De tempos em tempos, toca nos Estados Unidos, na Europa e na Ásia. Apresenta-se no Mercado Grano, no Jardim Canadá, em Nova Lima, na região metropolitana de Belo Horizonte, em shows das noites das sextas, com cantor(a) convidado(a), e nas tardes de sábado, com o trio jazzístico formado por ele (bateria), Magno Alexandre (guitarra) e Pablo de Souza (baixo acústico).

Valerio Fabris

Valerio Fabris

Editor

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