Jimmy Duchowny em série (3/5)

“Agora que a prefeitura acabou com a restrição de música nos bares de Belo Horizonte, cabe aos músicos e aos donos dos bares apenas evitar os decibéis excessivos. A música e o músico de qualidade tocam na modalidade acústica, mesmo que com alguma amplificação, que é necessária ao instrumento, como o baixo e a guitarra.”

“O volume alto, entre quatro paredes, é coisa de músico que tem pouca experiência e acha que nasceu como um presente de Deus ao mundo. É preciso pensar no bem-estar dos clientes, nas vizinhanças e no dono do bar, que colocou o suor de toda uma vida naquele seu negócio.”

“No Mercado Grano, tocamos em um trio. A gente não usa caixa de som, apenas dois amplificadores para o baixo e a guitarra. A gente toca de tudo, mas não de uma maneira pesada. Com a experiência de vida, a gente vê o lugar e faz a adequação.”

“Se é um bar e restaurante, tem que se tocar algo que seja mais agradável e menos agressivo, que não atrapalhe a digestão. Outra coisa que a gente gosta de fazer é colocar músicas conhecidas, para que as pessoas consigam se identificar. Aí, elas naturalmente prestam mais atenção.”

“Tem guitarrista que só consegue tocar alto, mas com esse músico eu não quero trabalhar. A gente não está acima de ninguém. Os músicos que eu escolho para tocar não se acham um presente de Deus.”

“Nós nos consideramos igual a todo mundo que trabalha no bar ou no restaurante: o garçom, o ajudante de cozinha e o cozinheiro, o caixa, o gerente, o dono. O que queremos é ajudar o lugar a funcionar bem. Se o cara só toca rock pesado, isso não cabe num bar e restaurante. O lugar não é adequado para esse tipo de coisa; as pessoas vão sofrer demais.”

“Se, já no final da jornada, quando ninguém mais está almoçando ou jantando, a clientela toma a sua cerveja ou seu vinho, e sente-se mais alegre, a gente pode até fica mais solto e aumentar um pouco o volume, mas nem tanto. É o momento que pede isso. Quem nos governa é o bom-senso, a adequação. No dedo, consegue-se chegar num volume perfeito para a ocasião.”

“Vivo de música. Conheço o público, o ambiente, o lugar em que o moro, o mercado da cidade em que moro e trabalho. Se a música ao vivo faz parte do negócio do bar, a gente tem que acrescentar valor a esse negócio, e isso significa que tem que ser uma solução, não um problema.”


*Jimmy Duchowny nasceu em Malibu, na Califórnia. Formou-se na Berklee College of Music, em Boston. Mudou-se para o Rio de Janeiro em 1987, quando tinha 24 anos de idade. Em 1994, passou a residir em Belo Horizonte. Tem quatro CDs autorais e, participou, como baterista, de quase uma centena de discos de outros músicos, no Brasil e no exterior. De tempos em tempos, toca nos Estados Unidos, na Europa e na Ásia. Apresenta-se no Mercado Grano, no Jardim Canadá, em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, em shows das noites das sextas, com cantor(a) convidado(a), e nas tardes de sábado, com o trio jazzístico formado por ele (bateria), Magno Alexandre (guitarra) e Pablo de Souza (baixo acústico).

Valerio Fabris

Valerio Fabris

Editor

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