Jimmy Duchowny em série (1/5)

Este é o primeiro de cinco textos que formam uma série sobre o baterista americano que se encantou por Belo Horizonte e aqui vive desde 1994


Jimmy Duchowny nasceu em Malibu, na Califórnia, em 19 de maio de 1963. Formou-se em música pela Berklee College of Music, em Boston. Lá, na capital do Estado de Massachusetts, tocou com os melhores grupos de jazz. Conhecia vários imigrantes brasileiros. Eles lhe falavam de um Brasil inebriante. Jimmy fez a sua pesquisa particular para ver se tudo aquilo que diziam tinha fundamento: a natureza, as praias, a alegria, a musicalidade. Realmente, os relatos conferiam com as informações que conseguiu obter em arquivos de jornais e revistas. Escolheu, então, a sua cidade de destino.

Chegou ao Rio em 1987, quando tinha 24 anos de idade. Abriu um curso de bateria no apartamento de uma amiga brasileira que o hospedara. Ela recebia como pagamento cem dólares mensais. Tocava na noite. Logo constatou que havia considerável escassez de oferta de música ao vivo em bares e restaurantes da Cidade Maravilhosa. Os instrumentistas melhor sucedidos eram os que conseguiam tocar em apresentações dos grandes artistas da época, como Tim Maia, Gil, Gal, Caetano, Marina Lima. Os demais ficavam meio a esmo.

Perguntava-se: “Como é que pode uma cidade com tantos músicos talentosos não ter onde tocar?”. Na maior parte das vezes, quando arranjava um lugar para fazer um som, o músico era tratado de um jeito qualquer. O dono do bar ou restaurante lhe servia, como refeição, um reles misto frio ou quente, e Coca Cola.

Em 1994, veio a Belo Horizonte rever uma moça que tinha conhecido. Andou pela cidade. Participou aqui e ali de rodas de música em bares e restaurantes. Ficou extasiado. Existia um bom número de locais com música ao vivo. Os donos dos estabelecimentos serviam jantar e bebida aos músicos contratados, cuidando deles como se fossem da casa. “Sabe de uma coisa? Aqui fico”.

Passaram-se 23 anos. “Depois de São Paulo, Belo Horizonte é o melhor ambiente do Brasil para o músico instrumentista”, assegura. Em sua avaliação, a capital mineira está bem à frente do Rio. Em termos de música ao vivo, diz que o Rio é superado por outras capitais, como Curitiba, Salvador, Fortaleza ou Porto Alegre.

De tempos em tempos, Jimmy dá um pulo lá fora, apresentando-se em casas como o Alexanderplatz Jazz Club, em Roma, ou nos Estados Unidos, com Dave Stryker, classificado pela revista Down Beat entre os cinco melhores guitarristas do mundo.

É parceiro do cantor e compositor João Bosco em uma empreitada jazzística, unindo a voz a um leque de instrumentos: saxofone, clarinete, trompete, flugelhorn, trombone, baixo acústico e, é claro, bateria. Trata-se do projeto “João Bosco e o jazz”, que já realizou shows no Rio, em São Paulo, Uberlândia e Belo Horizonte.

Por aqui, também, está regularmente no Mercado Grano, no Jardim Canadá, junto com dois craques mineiros: o guitarrista Magno Alexandre e o contrabaixista Pablo Souza. Fazem um show nas noites das sextas, com convidados especiais (cantor ou cantora), e um instrumental jazzístico nas tardes dos sábados.

Valerio Fabris

Valerio Fabris

Editor

Um comentário em “Jimmy Duchowny em série (1/5)

  • 2 de maio de 2017 em 11:06
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    Saudades James Allen!!!!

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