O descaso com as calçadas

As calçadas, na visão do arquiteto e urbanista carioca Alexandre Pessoa, são o primeiro passo para a cidade humana e a cidadania.

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Alexandre Pessoa, arquiteto e urbanista

“Sem calçada não se tem a vitalidade urbana, não se tem a cidade, mas a gente não dá valor ao que está situado além da porta da nossa casa. O espaço público não pertence a ninguém. E, assim, poucos se importam com ele. O espaço público é dos cachorros, dos mendigos, do sei lá do quê. Então, o sujeito joga o lixo no chão da calçada ou da rua, mas não na casa dele. Joga da janela do carro, que é sua bolha privada. Há enorme falta de compreensão de que o que é público é de todos nós”, lamenta Pessoa.

De acordo com o arquiteto, só há um lobby em favor das calçadas de qualidade e dos pedestres nas cidades brasileiras: “É o que vem dos cadeirantes e portadores de dificuldades de visão e locomoção”.

Ele afirma que essas pessoas usam a cidade de um jeito bem diferente em relação aos demais indivíduos. Ou seja: o cadeirante sente o tecido das calçadas com multiplicada sensibilidade, geralmente tornando dramáticos seus percursos.

Muitas calçadas são estreitas e, ainda assim, têm postes, lixeiras ou árvores. As calçadas servem usualmente como entradas de garagem, e, assim, são cortadas por rampas ou degraus. Nelas comumente há buracos, súbitas rampas e trechos com ausência de pavimentação.

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