O Guarani volta ao Palácio das Artes

A mais famosa ópera de Carlos Gomes, sem dúvida o maior compositor brasileiro nesse gênero, volta ao palco do Grande Teatro do Palácio das Artes, 14 anos depois da última e memorável encenação inteiramente realizada em BH.

A nova montagem mineira de O Guarani tem estreia marcada para o próximo dia 10, com mais cinco récitas até 20/11.

A ópera, da qual a maioria dos brasileiros conhece apenas os primeiros acordes como prefixo do programa radiofônico oficial A voz do Brasil, é longa, dramática e movimentada.

Baseada no romance de José de Alencar, a peça coloca em cena um Brasil recém-nascido, belo e primitivo, porém cobiçado por aventureiros perigosos e habitado por tribos indígenas nem sempre dóceis ao domínio do europeu.

A história se passa em 1560. Em meio a conflitos, traições e batalhas, emerge o amor de uma jovem portuguesa (Cecília) e um índio da tribo guarani (Pery). Ela é filha de dom Antônio, o dono de uma cobiçada propriedade na zona rural do Rio de Janeiro.

O fazendeiro havia prometido a mão de sua filha a um aventureiro europeu, mas acaba aceitando a paixão de Cecília pelo índio guarani.

A propriedade sofre ataques terríveis de índios aimorés e de aventureiros brancos. Entre as cenas de maior dramaticidade, destaco a do terceiro ato, em que a família portuguesa e até mesmo o guarani caem prisioneiros dos inimigos. Há um ritual de morte preparado pelos aimorés e é nesse momento que a plateia brasileira vai reconhecer os acordes do prefixo de A voz do Brasil. Eles serão ouvidos primeiro na “Sinfonia”, a peça orquestral de abertura, que faz uma espécie de resumo da ópera.

Chamo atenção também para a bela ária do fim do primeiro ato, quando Cecília e Pery se declaram apaixonados. Famoso por suas canções de amor, Carlos Gomes compôs, para esse trecho, um dos pontos mais românticos da ópera, conhecido como a Canção de Ceci.

Composta em Milão por volta de 1870 e cantada em italiano, O Guarani não deixa de ser um mergulho no Brasil primitivo e um bom motivo para nos orgulharmos da nacionalidade brasileiríssima de Antônio Carlos Gomes, nascido em Campinas (SP).

Em 2002, a encenação de O Guarani teve regência de Emílio César e cenários do saudoso Raul Belém. A soprano Gabriella Pace e o tenor Eduardo Itaborahy fizeram os protagonistas centrais.

A montagem que vai ao palco em novembro terá a Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, regida por Sílvio Viegas, com direção artística e cenografia de Walter Neiva. Pery será interpretado pelo tenor Richard Bauer e a soprano Marina Considera fará Cecília.

Pedro Lobato

Pedro Lobato

Jornalista

Um comentário em “O Guarani volta ao Palácio das Artes

  • 9 de novembro de 2016 em 16:00
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    Tão brilhante explicação me despertou a vontade de conferir,comparecerei ao Palácio das Artes.
    Obrigada Pedro lobato pela dica.

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