O que esperar da medicina para 2017

Uma notícia que causou muito impacto em 2016 foi a de que as mortes por câncer estão em declínio no mundo, embora não existam explicações completas para este fato. Nas últimas décadas as publicações médicas têm atribuído aos genes, que são fragmentos do DNA (ácido desoxirribonucléico), o endereço da causa de vários tipos de cânceres. Dessa forma, pode-se dizer que se trata de uma doença herdada. Daí podermos explicar, por exemplo, por que nem todos os fumantes vão desenvolver o câncer pulmonar e, sim, apenas aqueles que têm essa predisposição genética.

A fumaça do cigarro com seus produtos carcinogênicos seria apenas o gatilho para o início da doença. Houve quem optou pela retirada dos ovários quando soube que era portadora de genes responsabilizados pela enfermidade. O tratamento do câncer praticamente não mudou ficando ainda limitado à cirurgia, quimioterapia e radioterapia.

A grande notícia foi publicada pela revista Nature, de 22/12/2016. O futuro aponta para a engenharia genética como a arma definitiva na luta contra a doença – um novo complexo imunológico chamado CAR-T (chimeric antigen receptors celule T). Após a colheita, as células T que são linfócitos produzidos na medula óssea, cuja função é regular a resposta imune, destruir vírus e bactérias invasores, eliminar células danificadas ou cancerosas, são geneticamente modificadas para produzir os CAR-T na sua superfície. Os CAR-T são proteínas que reconhecem outras proteínas específicas (antígenos) presentes nas células tumorais.

Essa nova arma “viva” deve chegar ao mercado em 2017. O medicamento é produzido por duas gigantes farmacêuticas que já correm para obter aprovação e colocar a droga à disposição para o tratamento de pessoas com leucemias e linfomas. Se 2016 foi difícil, pelo menos já temos uma boa notícia para o próximo ano.

Paulo Timóteo Fonseca

Paulo Timóteo Fonseca

Médico da Saúde da Família

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