O que há de errado com os pais e mães de hoje?

Ainda não tenho filhos. Mas ando preocupado com a forma como muitos pais e mães da minha geração estão educando suas crianças. Tenho presenciado certos comportamentos dos pequenos indicando que “algo errado não está certo”, como diz um colega de trabalho. Não quero, nestas linhas, fazer o papel de psicólogo e, muito menos, de pedagogo. São profissionais que, a meu ver, ajudam, mas não devem ser os principais responsáveis pela formação moral e ética do cidadão – cabe à família esse papel, e não à escola, à igreja ou a qualquer outra instituição.

Certa vez, em um restaurante, testemunhei uma cena chata. Duas meninas e um menino com não mais que seis ou sete anos corriam e gritavam irritantemente pelos corredores entre as mesas. Tentei localizar com o olhar os pais ou responsáveis, mas minha visão estava encoberta por uma pilastra. Até que o garoto, em meio à algazarra, bateu a cabeça embaixo da mesa vizinha à minha, ocupada por um casal. O impacto derrubou o vidro de pimenta, que caiu sobre a mulher, dando-lhe “um banho”, conforme palavras dela.

Uma garçonete, meio sem graça, aproximou-se da mesa e ofereceu ajuda. Já o menino ignorou toda a situação. Nem olhou para a mesa que havia acabado de acertar. Sequer se assustou. Naquele momento, eu esperava que o pai ou a mãe aparecessem para chamar-lhe a atenção e dar uma boa carraspana nas três crianças, pondo fim à balbúrdia. Alguns instantes se passaram e nada. Lá estavam elas, sem freio e sem que qualquer pessoa lhes desse um basta. É uma situação que gera um constrangimento silencioso, pois nos tempos de hoje, ninguém quer arrumar encrenca chamando a atenção dos filhos dos outros.

Depois que a mulher já havia se recomposto, uma senhora, que acredito ser a avó dos meninos, apareceu para levá-los embora. Mas sem fazer-lhes qualquer repreensão, como se nada de mais tivesse acontecido. Nunca saberei se ela vira o acidente ou não. O fato é que foi perdida uma boa oportunidade de ensinar algo às crianças – o tal de limite. Mas, para isso, é preciso estar presente e dar-lhes a devida atenção.

Posso garantir, por mais absurdo que pareça: alguns pais e mães vão dizer que a culpa é do restaurante, por não dispor de um espaço adequado para os pimpolhos. Esse é justamente o tipo de gente que, fora de casa, “larga” suas crianças, sem se preocupar com o que poderão “aprontar”. “Menino é menino”, dizem, não para quieto, quer sair correndo, fazer barulho etc. Sem dúvida! Mas as brincadeiras têm hora, espaço e regras – assim como tudo na vida em sociedade.

E se não quero bancar o psicólogo nem o pedagogo, também não farei defesa de qualquer pensador ou abordagem científica da área. Apenas entendo que educação começa em casa, e que pais e mães deveriam se comprometer a, de fato, educar seus filhos exercendo sobre eles autoridade – que não deve ser confundida com autoritarismo –, apontando-lhes limites e a importância do respeito à hierarquia. Acredito que isso também é educar com amor e carinho. Só assim nossas crianças se tornarão cidadãos de fato, com senso de coletividade, sendo plenos cumpridores dos seus deveres e observadores dos direitos de cada um.  

Breno Lobato

Breno Lobato

Jornalista

Um comentário em “O que há de errado com os pais e mães de hoje?

  • 13 de dezembro de 2016 em 01:48
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    Muito acertado seu comentario, Breno! Por essas e outras razões da mesma índole, falta de limites, é que tem pessoas que estão promovendo a cultura da segregação, como se essa fosse a solução idônea para um problema que é meramente de educação de base, ou seja desde bem pequeno e em casa!
    A meu ver essa segregação é fruto da intolerancia, se não tenho filhos não tenho porque aguentar os filhos dos outros, mas a razão é justamente a que você aponta: falta de limites, que nada mais é que EDUCAÇÃO.
    Um abraço

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