O sofrimento humano e a revolução digital


A psicanalista Teresa Pinheiro discorre sobre o tema no Café Filosófico, série realizada em parceria entre o Instituto CPFL e a TV Cultura, veiculada aos domingos (21h) e às segundas-feiras (23h45)


Como está desaparecendo, nas novas gerações, o homem que tem interioridade, que se autorrecria em conversas consigo mesmo, que se autoindividua na interioridade. Este é o homem que habita a literatura de Shakespeare. E este homem está desaparecendo com a revolução tecnológica.

Qual o sintoma maior do nosso tempo? O olhar do outro é que passou a definir o que sou.

Uma imensa parcela da nova geração está se tornando inteiramente dependente do olhar do outro. Com isso, perde a possibilidade de se autorrepresentar. É destituída de lembranças consistentes do seu passado e incapaz de projetar o seu futuro. É incapaz de se historicizar. As suas lembranças são fragmentadas. E, assim, não consegue traçar uma linha para o seu futuro. A internet suprime o antes e o depois.

Para que a memória? A memória está no smartphone, na palma de sua mão. Não há mais a necessidade da acumulação intelectual do saber. O saber está todo no Google. O direcionamento espacial encontra-se no GPS. O que sei, não sei. O que sou está fora de mim.

É o outro que sabe de mim. Por isso, preciso estar sempre exposto a ele. É ele quem vai reconhecer se estou feliz na foto e se fui a um show de um grande artista. Cedo ao outro a minha subjetividade. Preciso malhar até não poder mais, para que o outro me aprove. O que afirma a minha existência são os ‘likes’. Habito o impalpável, o virtual.

O resultado disso? A escalada da hiperatividade, ansiedade, angústia, depressão, timidez e incapacidade de se colocar no mundo. As clínicas e os consultórios estão sendo invadidos globalmente invadidos por jovens com esses sintomas do nosso tempo.

Qual a saída? As famílias recuperarem a narrativa, e portanto , a capacidade de reflexão dentro de suas casas. É permitir que o jovem tenha seja capaz de digerir suas perdas, dialogando com os outros e consigo mesmo. É a recuperação do sentido do pertencimento, com as conversas confessionais entre amigos nos ambientes da vida comum, a escola exercitar a imaginação e o diálogo da interioridade humana.

No vídeo a seguir, Teresa Pinheiro faz uma abordagem maior do sofrimento humanos nos tempos atuais.

 


Foto: Tatiana Ferro


 

Valerio Fabris

Valerio Fabris

Editor

Um comentário em “O sofrimento humano e a revolução digital

  • 14 de fevereiro de 2018 em 13:45
    Permalink

    Valério, não consigo contato com Pedro Lobato. O que está acontecendo com o Blog?
    Paulo Timóteo

    Resposta

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