O único vício solitário decente que existe

Outro dia recebi uma charge no Facebook com a imagem de uma bibliotecária mais idosa entregando um livro para um garoto. Na imagem, o menino fica surpreso em receber aquela coisa estranha e recebe a seguinte instrução: “Ao invés de ligá-lo, você pode simplesmente levantar a capa para iniciar. E ao invés de clicar em ‘Próxima Página’, você só precisa virar a folha. Legal né?”.

Será que ler um livro impresso ou um jornal já virou um ato jurássico, com tanta tecnologia disponível? Bom, quero crer que não. A leitura de um livro, como diria um amigo, “é o único vício solitário decente que existe”. E por aí vamos…

Não sei quando de fato comecei a me interessar pela leitura, mas foi com certeza bem cedo, lendo gibis, histórias em quadrinhos (Fantasma, Histórias da Disney, Asterix, Dick Tracy etc.) e vários livros. No início, lia principalmente autores brasileiros, como Machado de Assis, José de Alencar, Monteiro Lobato, depois passei aos grandes clássicos publicados pela editora Abril. Daí pra frente a coisa não parou mais. Foram várias descobertas de autores fantásticos, como Hemingway, Voltaire, Somerset Maugham, Turgueniev, Balzac, Dostoievski, Tolstoi, Stendhal, Garcia Marques e tantos outros que fizeram momentos inesquecíveis na minha vida.

E as coisas não pararam por aí: as descobertas de livros e autores atuais são um moto-contínuo. Toda Luz que não Podemos Ver, de Anthony Doerr; A Série Napolitana de Elena Ferrante; e o recente prêmio Pulitzer de 2017, Os Caminhos para a Liberdade, de Colson Whitehead, são maravilhosos exemplos de uma literatura que dá gosto e vontade de ler sem parar.

No livro de Whitehead, o cenário é por volta dos anos 1820, com as barbáries cometidas no período escravagista nos Estados Unidos. O relato é impressionante quando acompanhamos e torcemos com a fuga de um casal de escravos daquelas fazendas de algodão da Geórgia rumo ao Norte do país, sendo perseguidos por caçadores de escravos a mando dos feitores locais – é eletrizante.

Já na série napolitana de Elena Ferrante,composta de quatro romances,a história gira em torno da amizade de duas amigas Lina e Lenu, desde da infância, até a maturidade e velhice, numa narrativa inesquecível.

São histórias muito bem escritas e contadas, para serem aplaudidas de pé, e são daqueles livros que, quando acabamos de ler, deixam uma saudade imensa de seus personagens.

Concordo que o ato de ler e a leitura são muito subjetivos – cada um tem suas preferências, seja de autor, seja de tema. No entanto, gostar de ler é, sem dúvida, um dos melhores prazeres da vida.

Voltando então à charge que dá início a esse devaneio, tenho a absoluta convicção de que, se pelo menos esse garoto abrir a capa do livro que a bibliotecária lhe indicou, sua história vai mudar – e talvez para sempre!

Guilherme Mauro

Guilherme Mauro

Profissional de Relações Públicas

2 comentários em “O único vício solitário decente que existe

  • 16 de março de 2018 em 15:05
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    Valeu MDEL! Obrigado por compartilhar.

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