Por que as novas empresas podem crescer em 2017 e vão preferir ficar ‘pequenas’

É fato que a tecnologia tem facilitado e modificado toda a lógica de consumo nos últimos anos. O mercado de eletrônicos é o cenário perfeito para que novos empresários apareçam oferecendo serviços que facilitam o dia a dia do consumidor, que pode acessar (e resolver) tudo a qualquer hora ou lugar. Os aplicativos atendem demandas de trabalho, de organização pessoal, financeira, lazer e até mesmo de relacionamentos sociais.

Lindo, prático, barato e irresistível. Mas, como tudo na vida tem um ônus, o resolver ‘tudo ao mesmo tempo, agora’ implica na durabilidade – e olha que não estou falando apenas dos aparelhos eletrônicos. Junto com a praticidade, pessoas físicas e jurídicas têm sofrido com o efeito das relações efêmeras. Os debates calcados nas redes sociais em 2016 são a prova maior do quanto as nossas relações estão estremecidas e passaram a ser pautadas por publicações ou curtidas que exibimos em nossas redes. E com as empresas não tem sido diferente.

À frente de uma agência de marketing digital há dois anos, junto com uma sócia, percebemos a necessidade dos clientes em ter um atendimento humano, que substitua um tíquete na fila de demandas. Já ouvimos depoimentos do tipo “espero que vocês não cresçam a ponto de se esquecerem de nós” ou “tomara que nenhuma grande empresa roube o atendimento de vocês pra gente ter que lidar com qualquer um”. Pode parecer, num primeiro momento, egoismo do cliente, mas nós percebemos que é uma necessidade fundamentada numa realidade que nós mesmas vivemos enquanto clientes de qualquer outra empresa. Fala se não dá medo de perder aquele gerente do banco que entende justamente a sua necessidade e te chama pelo nome?

O que pode-se notar, ultimamente, é que não é mais portfólio gigantesco que uma empresa busca ao contratar um serviço. É uma promessa de que ela não ficará na mão caso entre um terceiro para ‘disputar a atenção’ do prestador de serviço. É aquele medo de ter que arriscar quando contratamos uma operadora de celular e rezamos pra que a gente não tenha que resolver nenhum problema com ela, sabe?

Os efeitos das relações fracas também podem ser vistos internamente. É óbvio que toda empresa quer crescer, mas há um despreparo sem fim para designar as tarefas para futuros funcionários quando isso acontece. O atendimento ao cliente enfraquece porque não há contratação correta, o que faz com que o empresário não confie no contratado, que, por sua vez, leva isso para o trabalho, ainda que de forma inconsciente.

Portanto, neste ano de 2017, ser uma pequena empresa é, sim, uma grande coisa, porque além de preços competitivos, ela pode oferecer um serviço que está muito além de quem não consegue atender nem demandar de uma grande estrutura, o que a faz prestar um serviço igual ou de maior qualidade do que o de uma grande empresa. Crescer? Sim, todos nós queremos, mas precisamos melhorar muito para incorporamos a cultura do “bom e pequeno  restaurante caseiro”.

Cínthia Demaria

Cínthia Demaria

Jornalista, psicóloga e co-fundadora da empresa de marketing digital Tea With Me

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