Que tal desvendar Noronha?

Visitar a ilha de Fernando de Noronha é daqueles programas que qualquer pessoa tem que fazer durante a vida.

Imagine Fernando de Noronha como o equivalente turístico daquelas celebridades bem difíceis do mundo artístico, que impõem vários empecilhos para serem alcançadas, mas, apesar disso – ou talvez exatamente por isso –, conquistam uma legião de fãs. Não se trata de um destino fácil de ser visitado de uma hora para a outra, mas poucos lugares conseguem “pagar” tão bem o investimento do turista.

Há diversas formas de se desvendar Noronha em toda a sua magnitude: no encontro emocionante com os golfinhos, no mergulho escoltado por uma infinidade de peixes de cores indescritíveis, no balanço das águas calmas e cristalinas, na caminhada histórica pela Vila dos Remédios, nas lendas locais contadas pelos nativos e no maracatu e no forró que correm soltos nos bares até as quatro da manhã.

Cinco dias talvez seja o período ideal para conhecer com calma os atrativos naturais, o sítio histórico e a gastronomia da ilha. Com temperatura média de 28ºC, Noronha tem duas estações bem definidas: a seca, entre setembro e março, e a chuvosa, entre abril e agosto. Nessa última, porém, as chuvas são esporádicas e intercaladas por sol intenso.

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Parece estranho, por se tratar de uma ilha, mas os habitantes referem-se sempre ao Mar de Dentro, composto pelas 10 praias voltadas para o continente americano, e o Mar de Fora, em que outras quatro estão na direção do continente africano. O Mar de Dentro é considerado tranquilo a maior parte do ano e protegido dos ventos, enquanto o de fora é mais agitado, mas com áreas repletas de peixes coloridos e arrecifes.

As praias são, obviamente, os principais atrativos turísticos de Fernando de Noronha. Entre elas, destacam-se a paradisíaca Baía do Sancho, eleita pela segunda vez a melhor praia do mundo em uma pesquisa realizada pelo TripAdvisor. Para chegar até o cenário de areia branquíssima e água absurdamente cristalina, pode-se comprar um passeio de barco em uma das agências de turismo receptivo da ilha ou encarar a pé uma trilha de 320 metros e várias escadarias naturais ou construídas.

É preciso adquirir um ingresso, no valor de R$ 99 para brasileiros e R$ 198 para estrangeiros, que dá direito à entrada no Parque Nacional Marinho (Parnamar), onde a Baía do Sancho e outras praias belíssimas, como a Baía dos Porcos, a Praia da Atalaia, a Baía dos Golfinhos, a Baía do Sueste e a Praia do Leão estão localizadas. O ingresso online e mais informações estão disponíveis no site do Parnamar.

A Baía dos Golfinhos, como o próprio nome diz, é o lugar em que o espetáculo desses simpáticos mamíferos acontece e que pode ser visto pelo mirante, já que o mergulho é proibido nessa área. Já a Praia do Leão é conhecida como o berço das tartarugas marinhas, por ser local de desova da espécie, e é bastante tranquila, assim como a Baía do Sueste, com mar calmo e ideal para famílias. Quem gosta de aventura pode fazer mergulho livre na piscina natural da Praia da Atalaia, desde que acompanhado de um guia. Por fim, é na Baía dos Porcos que fica o cartão-postal de Fernando de Noronha, o Morro Dois Irmãos, que brinda os visitantes com uma vista magnífica no pôr-do-sol.

Vale a pena contratar alguns serviços para aproveitar essas e outras praias de Fernando de Noronha, com passeios que incluem atividades como aquasub, em que o turista, usando máscara e snorkel, é puxado pelo barco enquanto segura uma prancha. Quem tem experiência no assunto sabe bem que Noronha parece existir exatamente para a prática do mergulho, tanto pela diversidade da vida marinha quanto pelo fato de a temperatura média da água ser de 26 graus, com visibilidade de até 50 metros na horizontal.

Um dos principais atrativos é o batismo submarino, acompanhado de um instrutor de mergulho a uma profundidade de até 12 metros para iniciantes – quem tem experiência comprovada pode fazer mergulhos mais profundos. Mas quem ainda se sente inseguro para essa aventura pode optar pelo mergulho de flutuação, feito com o snorkel.

Além disso, é possível conhecer mais os encantos da ilha por meio de passeios de buggy e caminhadas. Em qualquer canto a que se for em Fernando de Noronha é possível esbarrar em história pura, especialmente na caminhada histórica pela chamada Vila dos Remédios, que abriga o Palácio São Miguel, a igreja e o forte de Nossa Senhora dos Remédios, além de antigos casarios, presídios e o museu histórico.

É durante esse tipo de passeio que você descobre algumas lendas de Noronha. Os passeios, quando narrados por quem conhece bem os encantos do arquipélago, ganham novos contornos, quase todos divertidos e cheios de conotações eróticas. Experimente perguntar a um nativo da ilha sobre a lenda do pecado. Ela fala do amor proibido entre dois seres gigantescos, castigados por terem amado demais e pecado por isso. Eles teriam sido punidos com a petrificação de seios e órgãos genitais. Basta olhar as formações rochosas dos morros Dois Irmãos e do Pico e fazer a comparação.

Independentemente da veracidade das lendas, vale pela diversão e pela visita aos cenários de tirar o fôlego. Aliás, paisagens exuberantes definitivamente não faltam em Fernando de Noronha. Com alguns dos cenários mais deslumbrantes do mundo, Fernando de Noronha não investe no turismo a qualquer custo. A prioridade dos cerca de 3,5 mil habitantes é manter o arquipélago como uma espécie de santuário ecológico. Por isso, ganhar acesso às areias frequentemente incluídas nas listas das mais bonitas do país tem um preço alto e muitas restrições. Algumas trilhas só podem ser visitadas com autorização do Ibama e todo turista deve pagar a Taxa de Preservação Ambiental, que varia de acordo com o período de permanência: de R$ 64,25 por um dia a R$ 4.530,91 por um mês. Há também uma taxa de preservação, que deve ser paga para fazer as trilhas e custa em média R$ 10.

Além de poucos hotéis, Fernando de Noronha conta com algumas pousadas domiciliares e várias residências que passaram por reformas para receber hóspedes. Para melhor orientar os turistas e incentivar a qualidade da estrutura de hospedagem no arquipélago, a administração da ilha criou a classificação das Hospedarias Domiciliares, com categorias de um a três golfinhos, que substituem as estrelas dos hotéis tradicionais.

Para saber mais sobre dicas de roteiro, informações sobre restrições, valores da Taxa de Preservação Ambiental e lista de hospedagens com classificações, acesse o Portal Oficial de Fernando de Noronha.

VOCÊ SABIA?

Pertencente ao Estado de Pernambuco e eleita patrimônio natural da humanidade, Noronha é a maior e única ilha habitada do arquipélago de mesmo nome, formado por mais 20 ilhas, chamadas de secundárias, em uma extensão de 26km2. Cerca de 75% do território está contido no Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha (Parnamar/FM) e o restante na Área de Proteção Ambiental (APA). Descoberto em 1503, o lugar funcionou como presídio político e área militar até os anos 1980 e, somente uma década depois, foi aberto aos visitantes, sempre de forma sustentável.

2 comentários em “Que tal desvendar Noronha?

  • 1 de novembro de 2016 em 11:52
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    Não recomendo fazer batismo. Nem em Noronha nem em nenhum lugar. É melhor fazer um curso de mergulho. O nível básico permite que o mergulho até 18 metros com segurança e conhecimento. Não arrisque sua vida!

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  • 9 de novembro de 2016 em 16:30
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    Conhecer os encantos de Fernando de Noronha …..Boa sugestão. Aventura suspense história misturam -se em curiosidades atrativas .

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