Redimensionando as possibilidades do abraço

Por Eustáquio Trindade Neto

Me encontrei ontem com um ex-colega, com quem trabalhei muito tempo no Diário da Tarde. Foi legal. A gente foi almoçar num restaurante terrível do Barro Preto, mas nem isso atrapalhou muito a conversa. Pelo menos a princípio. Aí, ele começou a reclamar da vida. Não tem e-mail nem Facebook. Não sabe por onde anda a maioria dos amigos. Se surpreendeu quando eu disse que continuo me encontrando com a maioria.

— Como é que você faz contato?

— Facebook. A maioria tá lá.

Não se convenceu. Não entra, nunca entrou, não sabe como é, mas tem ódio assim mesmo. Sou muito de respeitar opiniões alheias. Sempre. Ou quase sempre. Dessas contradições é que, muitas vezes, as coisas surgem para nos dar novos rumos, novas possibilidades. Encontrar velhos amigos foi uma delas. Daí que meu ex-colega passou a me recriminar por não tê-lo procurado durante esses mais de 20 anos. Aceitei sem discutir. Agora, celulares (sim, pelo menos isso ele tem) trocados, prometemos nos ver mais.

No entanto, uma das alternativas mais interessantes que o Facebook, pelo menos no meu caso, me deu foi a possibilidade de fazer novos amigos. Gente de outra formação, outras gerações, outras cidades, até de outros países. Quando eu disse isso, ele me questionou:

— Mas como você pode considerar amigo uma pessoa que você nunca viu?

Tempos atrás, acho que eu faria a mesma pergunta. Teria as mesmas dúvidas. Hoje, não. No Facebook, tenho tanto espaço para meus grandes e velhos amigos quanto para os novos. Sinto falta de ambos quando não os encontro na rede. Às vezes, tento aproximá-los. Sempre tive essa mania. Nunca parei pra pensar se isso é bom ou se é ruim. Acontece comigo com uma naturalidade que, às vezes, me espanta.

Amigos chegam de todos os lugares. Gente compartilhando música, filmes, livros, esportes… Outro dia me reencontrei com um jogador de vôlei, ex-seleção brasileira, que jogou comigo numa seleção universitária, nos bons tempos da FUME. Enfim, onde eu quero chegar depois de todo esse papo furado?

Primeiro, que acho que muito mais legal dividir mesa de boteco e abraçar, brigar depois abraçar de novo, ali mesmo, ao vivo e em cores. Ninguém abraça tanto quanto os brasileiros. Mas não nego que, de vez em quando, estendo conversas de horas no Facebook. E não me canso. Com os velhos amigos ou com os novos, novíssimos. Estou, diria, redimensionando as possibilidades do abraço. Que são infinitas.

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