Ser ou não ser vegetariano?

Nos nossos dias, sempre que a qualidade da carne fica sob suspeita, aderir ao vegetarianismo é sempre uma boa alternativa. Afinal de contas, os humanos são ou não são vegetarianos na sua origem? O costume de comer sem carne é ou não é saudável?

Podemos dizer que a dieta vegetariana é tão antiga quanto a humanidade. Sabemos que o homem primitivo era um caçador nato e comia o que conseguia abater ou colher na natureza. Em tempos difíceis, durante as guerras, nos assentamentos de refugiados, em períodos de extremos climáticos de escassez da caça a dieta sem carne é uma condição de sobrevivência.

Também sabemos que o abate de animais, desde que o homem aprendeu a domesticá-los, era um acontecimento que exigia situações especiais, em cerimônias que celebravam datas importantes. Os animais abatidos tinham de ser cozidos ou assados e consumidos imediatamente durantes aquelas comemorações festivas. Depois, de volta à vida cotidiana, a alimentação era baseada nos grãos obtidos do cultivo da terra.

Os gorilas que são os nossos parentes primatas mais próximos só não são vegetarianos estritos porque comem os carrapatos que infestam seu pelo. Então, podemos responder à primeira pergunta afirmando que, na sua origem, o homem não foi um vegetariano.

Para responder à segunda pergunta, a ciência moderna já se manifestou e são inúmeras as publicações disponíveis, que relacionam o hábito de comer sem carne a um vasto vetor de benefícios para a saúde. Os vegetarianos estão menos sujeitos às doenças vasculares, câncer de intestino, diabete e obesidade.

A partir do século 20, depois que as vitaminas foram identificadas e tiveram suas necessidades definidas, surgiu uma afirmação que colocou em risco o uso de uma dieta vegetariana. A carência da vitamina B12 ou cianocobalamina, exclusiva dos alimentos de origem animal podia resultar numa forma de anemia (megaloblástica).

Todavia, essa não é uma ocorrência tão frequente entre os vegetarianos, pois bactérias do gênero Rhizobium produzem B12 e são encontradas no solo, contaminando leguminosas e raízes, suprindo essa necessidade.

Diante desses fatos, podemos afirmar que o vegetarianismo é saudável se praticado periodicamente ou permitir a inclusão de produtos de origem animal (ovos, leite e derivados).

Paulo Timóteo Fonseca

Paulo Timóteo Fonseca

Médico da Saúde da Família

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