Sobreviveremos aos germes e vermes

As doenças infecciosas são definidas como a multiplicação de parasitas nos tecidos do hospedeiro. Esses agentes patogênicos englobam muitos organismos como os germes microscópicos representados pelos vírus, bactérias, fungos e protozoários. As infecções são a maior causa de morbidade e mortalidade mundial e mataram 53 milhões de pessoas, em 2009.

As epidemias influenciaram o curso da história da humanidade. No século 14, a peste negra ou bubônica, causada pela bactéria Yersinia pestis, mudou a estrutura social na Europa medieval e matou 50 milhões de pessoas. A doença era transmitida para o homem pela pulga Xenopsylla cheopis, que infestava ratos urbanos. Os focos de Yersinia ainda são encontrados em roedores em regiões da África, Ásia e Américas.

O tifo é causado por uma bactéria do gênero Rickettsia e foi responsável por 3 milhões de mortes na Europa Oriental e Rússia, no início do século 20. É transmitido pela picada da pulga que contamina os ratos em países do Terceiro Mundo, campos de refugiados e guerras

A malária é causada pelo protozoário do gênero Plasmodium sendo considerada a pior doença tropical. Desde 1980, 3 milhões de pessoas morrem anualmente de malária. Não há vacina e apenas remédios para tratar os sintomas.

A AIDS ou Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, desde 1981, já matou 25 milhões de pessoas pelo mundo, sendo a principal causa de morte na África subsaariana. O vírus é transmitido de uma pessoa para outra através do sangue e secreções. Não tem cura, mas os antivirais podem retardar a sua progressão e a multiplicação dos vírus.

A varíola é uma doença virótica conhecida há mais de 3 mil anos e responsável por 300 milhões de mortes, nos séculos 19 e 20. A doença é muito contagiosa e se propaga através das vias respiratórias. Foi considerada erradicada em 1980 após uma campanha de vacinação em massa.  

A infecção mais letal da humanidade é a tuberculose. Sinais da doença foram identificados em esqueletos datados de 7 mil anos. O combate realmente eficaz teve início após a identificação da bactéria por Robert Koch, no século 19. Pode ser tratada e curada pelo uso de antibióticos, mas é uma doença que insiste em se perpetuar.

O vírus influenza foi responsável pela gripe espanhola que causou 20 milhões de mortes, no início do século 20. A doença se propaga pelo ar através de gotículas expelidas pela respiração. O vírus está num constante processo de mutação e a vacina precisa ser periodicamente reformulada.

O sarampo foi responsável por 6 milhões de mortes até a década de 1963, quando foi produzida a primeira vacina. Hoje, é considerada erradicada em muitos países.

A cólera é conhecida desde a antiguidade e se tem relato da primeira grande epidemia mundial, em 1817. É causada pela bactéria Vibrio cholerae. A transmissão se dá pela água e alimentos contaminados por dejetos de doentes. Causa intensa diarreia que pode resultar na morte em poucas horas.

A esquistossomose causada pelos trematódeos do gênero Schistosoma é a mais importante doença parasitária humana, está presente em 55 países. Estima-se que 300 milhões de pessoas estejam infectadas e 280 mil morrem por ano da doença nos países em desenvolvimento.

A dengue é a virose hemorrágica de maior importância atual. As dificuldades de conter o mosquito vetor fazem as taxas de morbidade e mortalidade crescentes. A chegada das primeiras vacinas é a grande esperança.

A febre amarela causou 30 mil mortes na Etiópia, entre 1960 e 1962, e surgiu em grandes epidemias na África e Américas. A transmissão se faz através da picada do mosquito que se contaminou sugando sangue de uma pessoa infectada com o vírus. Tem vacina eficaz, que precisa ser renovada a cada 10 anos. A doença parece estar de volta em Minas Gerais e já virou notícia no “The New York Times”.

São conhecidas uma centena de outras infecções além dessas descritas. Diante de um quadro tão adverso a espécie humana atravessará esta tormenta, mesmo sofrendo pesadas baixas.

Paulo Timóteo Fonseca

Paulo Timóteo Fonseca

Médico da Saúde da Família

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *