Tratamento hormonal na menopausa

A reposição hormonal durante os anos anteriores e posteriores ao acontecimento da menopausa é um assunto ainda hoje polêmico. Embora as evidências clínicas apontem para a segurança absoluta do tratamento, há meio século, muitas mulheres deixam de se beneficiar de suas enormes vantagens.

A prestigiada revista da Associação Médica Norte-americana (JAMA. 2017; 318 (10): 927-938) publicou em 12 de setembro mais um importante artigo sobre o tema. O objetivo do estudo era responder à seguinte pergunta: Qual é a relação entre o uso de terapia hormonal na menopausa versus placebo, por 5 a 7 anos e a mortalidade em 18 anos de tratamento monitorado? Foram acompanhadas 27.347 mulheres tendo em média 63,4 anos e sendo 80,6% delas brancas.

O seguimento da mortalidade estava disponível em mais de 98% dos casos ocorridos, num período de 18 anos, foram 7.489 mortes.  Essa observação foi realizada entre mulheres pós-menopausa de várias etnias dos EUA, de 50 a 79 anos, matriculadas em dois ensaios clínicos, entre 1993 e 1998 e seguidas até 31 de dezembro de 2014.

A mortalidade por todas as causas foi de 27,1% no grupo que recebeu a terapia hormonal contra 27,6% no grupo que foi medicado com placebo. Foram consideradas as mortes por doença cardiovascular, por câncer e por outras causas.

As conclusões foram de que entre as mulheres pós-menopausa que participaram em dois estudos paralelos de estrogênio combinado com progestágeno e estrógeno isolado, as taxas de mortalidade por todas as causas não foram significativamente diferentes para os grupos de terapia hormonal, comparados aos grupos que receberam um placebo.

Resumindo, entre as mulheres pós-menopausa, a terapia de reposição hormonal numa média de 5,6 anos ou com estrógenos isolados para uma média de 7,2 anos não foi associada ao risco de mortalidade por doenças cardiovascular, câncer ou outras enfermidades durante um acompanhamento cumulativo de 18 anos.

Essa publicação assinada por dezoito especialistas vem mais uma vez validar o meu livro “Menopausa: para sempre mulher”, hoje na quarta edição, publicado em 1991. 

Paulo Timóteo Fonseca

Paulo Timóteo Fonseca

Médico da Saúde da Família

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